Em ato político organizado pelo PSDB para criticar a atual gestão da Petrobras, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) defendeu nesta terça-feira mudança no atual modelo de exploração do petróleo no país.
Candidato virtual do PSDB à Presidência em 2014, Aécio disse que o modelo de concessões, adotado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, provocou menos "insegurança" à estatal do que o atual modelo de partilha.
"Muitos dizem que deveríamos voltar ao regime da concessão em função das inseguranças que foram geradas. Hoje nem a primeira empresa da América Latina a Petrobras é mais, é uma colombiana, que aplica o mesmo regime de concessões, inspirada em nosso governo, com uma agência reguladora forte. Exatamente a concepção feita por técnicos do ex-presidente Fernando Henrique", disse.
O PSDB articula usar como bandeira, na campanha de Aécio, os prejuízos sofridos pela Petrobras com a troca do modelo. O partido não definiu, porém, como vai abordar a questão. O próprio senador admitiu que devem surgir "propostas claras" sobre o tema até o início da campanha eleitoral.
"Acho que vamos ter que ter propostas claras,
mas me parece irreal, contraproducente e lesivo aos interesses do país manter a obrigatoriedade de participação de 30% da Petrobras em cada um dos campos [de petróleo] a serem licitados. A Petrobras descapitalizada, vai ter que buscar dinheiro no mercado com juros cada vez maiores, isso pode significar dificuldades crescentes para a ampliação da produção", afirmou.
Pelo modelo da partilha, a produção de cada campo de petróleo tem que ser partilhada entre o consórcio vencedor da licitação e a União. Em seu discurso, Aécio cometeu uma gafe ao falar que o modelo de partilha foi adotado pelo governo petista por medida provisória. A mudança ocorreu por projeto de lei aprovado pelo Congresso em 2010.
CAMPANHA
O ato para criticar a Petrobras se transformou em palco para Aécio fazer críticas ao governo federal e ao modelo petista de governo. O tucano afirmou que seu partido vai mostrar à população que existem dois modelos "absolutamente distintos" de gestão do país --o defendido pelos tucanos e o exercido pelo PT.
"Vamos ter que contrapor cada vez mais o Brasil real do Brasil da propaganda. Na hora da decisão, a população vai ter a oportunidade de perceber que existem dois modelos absolutamente distintos. Um deles com prejuízos, com a transformação em Estado unitário, a ocupação dos cargos sem qualquer critério de meritocracia, um processo gravíssimo de desindustrialização do país", afirmou.
Aécio discursou no evento sob gritos de "futuro presidente da República" e "Brasil para frente, Aécio presidente". Um grupo da Juventude do PSDB usou máscaras da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula e segurou uma faixa com os dizeres: "Não deixe o PT quebrar a Petrobras".
Depois de ser cobrado por não falar em "pobres" no primeiro discurso no Senado em que fez ataques ao PT, Aécio disse que o grande "desafio" do PSDB é trabalhar pela superação da pobreza do Brasil com "ações efetivas", e não por "decreto presidencial".
"Já que o governo tomou a iniciativa de antecipar o debate eleitoral usando instrumentos antes jamais pensados na história do Brasil para promover sua candidata [a presidente Dilma], cabe a nós da oposição, com a responsabilidade e autoridade que temos, construir pilares para que o Brasil seja hoje um país melhor."
PRIVATIZAÇÃO
Ao lado de economistas e especialistas convidados pelo PSDB para falar da Petrobras, Aécio negou que os tucanos tenham como objetivo privatizar a estatal. A reação mais dura veio do ex-vice governador de São Paulo Alberto Goldmann (PSDB), que acusou o PT de "falta de escrúpulos" quando diz que o PSDB quer a privatização da empresa.
"Queremos ampliar a participação privada na exploração, mas não privatizar a Petrobras. Eles nos acusaram durante a campanha. Eles não têm nenhum escrúpulo em fazer isso. Ou nós acabamos com o PT, com esse modelo autoritário, ou eles acabam com o Brasil", disse Goldmann.
Além das bancadas do PSDB na Câmara e no Senado, o presidente do PPS, Roberto Freire (PE), participou do ato em "resgate" da Petrobras. Freire disse que o ato político vai permitir que o "maior partido de oposição" do país discuta uma tema que envolve a "emoção" dos brasileiro, que é a Petrobras.
Presidente do PSDB, o deputado Sérgio Guerra (PE) afirmou que a condução da Petrobras nos governos do PT foi "comprometida e comprometedora". "Há um cenário de desordem na Petrobras. A empresa foi usada como instrumento de campanha. Temos que contribuir para que ela melhore, se desenvolva, se recupere."
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